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Mudando Paradigmas na Educação

Esta animação foi adaptada de uma palestra dada na RSA por Sir Ken Robinson, um especialista em educação e criatividade de renome mundial e ganhador do Prêmio Benjamin Franklin da RSA .
Para legendas no YouTube você pode clicar no botão CC, logo abaixo do vídeo.
Em todos os lugares do mundo as pessoas estão querendo mudar o sistema de educação.
A escola gratuita e para todos era uma idéia revolucionária.
As crianças estão sendo medicadas para assistir aulas.
Uma experiência estética é aquela em que os seus sentidos estão operando na capacidade máxima.
Nós temos que pensar de forma diferente a respeito da capacidade humana.
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Uma análise do arranjo Estrela do Mar

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Esse arranjo foi uma encomenda do grupo Octrombada, para um musical infantil em 2006. Fiz em 3 dias e quando terminei perguntei ao grupo se o restante do repertório era muito “pra cima” e felizmente eles disseram que sim, o que faria desse arranjo uma diferença. A música originalmente uma marchinha de carnaval, mas a letra com tema tão insólito me induziu a essa sonoridade. Não só a letra, mas as notas do tema inicial (“um pequenino grão de areia”) já me entregaram a sonoridade que preferi não escapar.

Não pensei em harmonia. Não quis saber quais acordes resultam, nem o nome deles. Não sei qual tom está, nem se é tonal ou modal o resultado. Fui pensando em sonoridades de cada instante, blocos sonoros, como cores numa tela, como se um polvo jorrasse tinta no mar.

Os primeiros compassos, antes do tema: a nota A(la), louca para agarrar o Bb(si bemol), que corre para virar o D(re) e quase é agarrado pelo E(mi). Um movimento indo e vindo próprio da água junto à areia no fundo do mar. Quando o tema faz “que era um pobre sonhador” o movimento das “águas” arremessa essa correnteza para cima em direção às estrelas. A frase “imaginou coisas de amor” soa como as canções e as cantoras do rádio da década de 40.

Em seguida (compasso 20) inicia-se uma fuga a passos pequeninos (em movimento não de 3ªs mas de 2ªs), num abrir/fechar intervalar para logo após (compasso 24) partir do mesmo ponto e abrir o acorde mais espetacular do arranjo inteiro. Nesse momento (compasso 26) acontece a síntese da canção: ela, a estrela, no céu e ele, o pequenino grão de areia, no mar a maior dor e a maior esperança. O movimento termina num “disse que disse” levando tudo abaixo.

A parte B da música é um contraponto onde no fundo nada se encontra (apesar de ser o trecho mais suave, mais tonal do arranjo pois a linha melódica não deixa dúvidas disso); o que há são conclusões precipitadas e arrojos passageiros praticados por sereias, ninfas marinhas próximas mas inalcançáveis.
A coda é como sempre deveria ser, o resumo de tudo. O tema “um pequenino grão de arei-a”. Essas notas, onde as sílabas estão sublinhadas, superpostas, são a base da sonoridade do arranjo todo.

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Deixe a vida me levar, vida leva eu!


Estamos "cada um na sua" e assim entramos na aula. Cada um "com seus problema, mano!" Isso aqui não me interessa, vou vivendo com meu fone de ouvido, não tô nem aí com o que vc quer me dizer, essa porra toda que se dane...

...peraí, mano, que isso fessôr! Pô, ducarái, que bagulho doido, ... cê é lôco, tá ligado!

Dia seguinte

Ei, prô, que que cê vai fazê com a gente hoje?

Na moral, que adianta ficar dando murro em ponta de faca, achando que o problema é aquele ali, está naquele outro, aqueles desajustados?!?!

Ôvo de Colombo: pra quem está interessado, atento, disposto e acostumado a pescar no mar da complexidade. É preciso treino.
Pra quem vê de fora parece mágica.
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Como vc vê a presença do corpo nas suas atividades como professora de música?


Entrevista com Luciana Grillo, musicista, professora de canto e musicalização, atriz.

Em aulas de canto costumo fazer os alunos andarem cantando, movimentar a cabeça, movimentar o corpo, mas tudo - principalmente - para tirar a tensão da região do pescoço. Claro, tem o fato de que o movimento integra mais ao tempo sonoro e o fato de que permite uma maior entrega da pessoa à música.

O teatro me ajudou muito. O uso do corpo, a consciência corporal é muito mais estimulada no teatro que na música.

Em aulas coletivas com crianças uso mais no intuito de brincadeira; jogos musicais, som com movimento, mais que na performance musical. Quer dizer, na performance usamos os deslocamentos pelo espaço e com a consciência de que o corpo se utiliza do lugar onde se produz o som.
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A grama e a Complexidade




Homem é homem. Grama é grama. Simples!


Seis meses depois do falecimento da minha mãe, passei numa locadora e vi que havia chegado o filme “A Vida é Bela”, do Benigni. Lamentei minha mãe não tê-lo visto no cinema, na época ela já não conseguia ficar sentada tanto tempo. Mas ela iria adorar se eu pudesse levar a fita para casa. Com certeza ela, filha de italiano, iria ver alguns aspectos com mais propriedade que eu que era apenas neto. Eu não cheguei a conviver com meu avô, sabia das histórias ou da personalidade dele apenas pelo que ela me falou.

A última vez que fomos ao cinema vimos o filme “Central do Brasil”. Falamos muito sobre isso, sobre ver a vida através de uma pessoa tão diferente, sobre a transformação que a personagem interpretada pela Fernanda Montenegro foi tendo ao longo do filme. Para minha mãe foi também um pequeno renascer, esse momento teve uma profundidade um pouco maior. Parece que a pessoa que sabe que está chegando ao fim fica um pouco menos apegada aos seus valores, fica mais aberta a admitir outros modos de vida, fica admirando essas outras maneiras de ser, fica até com uma ponta de arrependimento por coisas que não viveu porque não se permitiu.

Pensei no que conversaríamos após assistir “A Vida é Bela”, no quanto ela iria se transformar desta vez. Então me peguei pensando: “Que besteira, ela está morta. Morta! Que adiantou para ela ter visto “Central do Brasil”, que adiantaria ver isso agora? Enquanto estava viva sim, fazia sentido, mas agora? Tanto faz pra ela ter visto ou não”.

Engano, achar que a pessoa que se foi acabou no momento da morte é de uma simplificação absurda. Se o modo cartesiano de pensar libertou o homem da tirania do catolicismo medieval, de outro modo o escravizou à uma concepção simplista e linear da vida. A pessoa nasce, cresce e morre. Pronto. Como um carro, como qualquer bem de consumo. Antes de ser um paradigma cartesiano, é uma concepção patriarcal, herdada por Descartes. (Ver comentário “1. cegueiras paradigmáticas” abaixo dessa postagem)

Numa sociedade rural até mesmo nos dias de hoje a relação mais íntima do homem com a natureza faz com que ele veja mais claramente que a vida é norteada por fazeres cíclicos. Num período ele ara a terra, noutro ele semeia, depois tem a época só de cuidar, tem o tempo de colher. No outro ano é a mesma coisa. Existem também os ciclos menores, as luas boas para podar, para pescar, para cortar o cabelo. O ciclo menstrual faz a mulher mesmo a mulher urbana estar mais sintonizada à ideia de período, e essa visão circular da vida é, por isso e outras coisas, mais feminina, é a concepção matriarcal da vida.

Ciclos maiores e menores. Não como as engrenagens do relógio de Descartes, mas como espirais. Existir o ciclo do meu avô, o ciclo da minha mãe, o meu ciclo, o ciclo dos meus filhos. Minha existência não dependeu da existência do meu avô apenas até o momento de minha mãe ser gerada, nem da existência dela até o meu nascimento. O que eu sou é parte do mesmo espiral o que ele era não morreu com seu corpo mas é parte intrínseca de mim, em tudo o que creio ser o mais íntimo, o mais eu: minha personalidade (indivíduo), minha identidade (o que me une e separa do restante da humanidade como sociedade) e minha essência (o que me une e separa do restante da humanidade como espécie).


Assim é o homem.


Mas e a grama?

Graminhas nascem, graminhas morrem e vivem gerações em espiral. Será?

Sei que a grama que está no jardim de casa eu peguei a muda lá na Gávea, no campo do Flamengo. Não é qualquer grama não, é a mesma grama que o Zico pisava durante anos. Como assim, a mesma grama?
Foi uma muda, e como toda muda, é um pedaço daquela grama que cortei, que tirei do gramado assim como se tivesse tirado um dedo seu. Aí ela cresceu e se esparramou pelo jardim todo da minha casa, como se o seu dedo crescesse e você se esparramasse por todo o jardim da minha casa.

A grama da Gávea não é qualquer grama. Tem história, tem cultura, tudo bem que ela não sabe. A gente diz que ela é filha da grama que o Zico pisava, diz assim, pra todo mundo entender sem ter que ler esse texto, mas na verdade ela é a grama que o Zico pisava e é isso que confunde a cabeça de nós homens, porque não sabemos pensar como grama, se grama por acaso pensasse. Esse é o sentido do texto do John Donne, que abre o texto do Humberto Mariotti sobre a complexidade. 

“Nenhum homem é uma ilha; qualquer homem é uma parte do todo. A morte de qualquer homem me diminui porque faço parte da humanidade. Assim, nunca procures saber por quem dobram os sinos: eles dobram por ti.”


A Grama, se pensasse, poderia saber que ela tem uma relação com o gramado maior do que a maioria dos homens acham que possuem com a humanidade. Porque a grama, se não fizesse um teste de DNA ficaria confusa em ver outra grama e saber se a grama é outra ou é ela mesma.


Em várias tribos indígenas da América do Sul a menor célula social é a grande família, que para nós seria juntando os primos e tios. O que acontece é que uma criança considera como pai o seu pai e os irmãos dele, como mãe sua mãe e as irmãs dela. Por isso quase não existe criança órfã numa aldeia, pois se seu pai verdadeiro morre ele tem outros pais e a dor da perda é minimizada, no imaginário e no real, porque ele não vai passar mais dificuldade, não vai passar fome, ele tem muitos outros pais.

O modo de pensar a organização familiar fez deles um pouco mais grama que nós.



E a complexidade? 
A complexidade é um fato, não um conceito. O pensamento complexo é que é uma visão de mundo, um paradigma, o paradigma da atualidade, que necessitamos para compreender o mundo de uma maneira mais completa que o raciocínio cartesiano.

Pelo paradigma cartesiano homem é homem, grama é grama. Pelo paradigma da complexidade, homem é, ou poderia ser, se quisesse, como grama, parte de algo maior. Parte da humanidade, parte do mundo natural, parte também de um mundo das ideias, do outro mundo criado pelo pensamento. Até Stalin, materialista, dizia que o pensamento é a forma superior da matéria.

O poder de um olhar diferente é muito grande. O olhar cartesiano transformou o homem, que transformou o mundo natural e colocou-o à nossa disposição, melhorando muito nossa vida. Agora há outros desafios para a humanidade e o paradigma cartesiano não responde mais a muitos deles.



Um exemplo de mudança pelo olhar diferenciado.

No período de invasão romana na palestina os judeus fizeram uma importante modificação nas suas leis. Uma mudança de olhar que garantiria a preservação de seu povo. Como? Até então, seguindo as tradições, os direitos de títulos e identidade eram passados de pai para filho de uma geração a outra, ou seja, a patrilinearidade. As legiões romanas ficaram conhecidas por uma prática comum: o estupro. Para os romanos era o significado simbólico de poder tomar as filhas da nação conquistada, usurpar da descendência, ter os ventres de Israel semeados por outro povo trazendo ao mundo filhos de Roma. Era mais que apenas saquear o presente, era apossar-se de seu futuro. A matrilinearidade foi a solução simbólica e legal para essas crianças sem pais de Israel e garantiu a esse povo que elas seriam a continuidade de um povo que não se permitia subjugar.

A mudança que a principio não foi material. Foi um novo olhar. Um novo paradigma que permitiu a sobrevivência de uma cultura.


Vou terminar com um trecho do que Edgar Morin escreveu em “Os Sete Saberes Necessários à Educação do Futuro”

Por isso, a educação deveria mostrar e ilustrar o destino multifacetado do humano: o destino da espécie humana, o destino individual, o destino social, o destino histórico, todos entrelaçados e inseparáveis. Assim, uma das vocações essenciais da educação do futuro será o exame e o estudo da complexidade humana. Conduziria à tomada de conhecimento, por conseguinte, de consciência, da condição comum a todos os humanos e da muito rica e necessária diversidade dos indivíduos, dos povos, das culturas, sobre nosso enraizamento como cidadãos da Terra...

Como assim? Enraizamento?
(brincadeirinha...)
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Arranjo - Mulher Rendeira - duas vozes


Para ouvir, clique no título. Para ver melhor ou baixar, clique na partitura.

Mulher Rendeira - para coral a duas vozes




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Planejamento


Por que é necessário? Para viabilizar tudo o que propomos.

Por que a aula sempre sai fora do planejado? Porque os alunos estão vivos!!! (Enny)
 
Planejamento não é proposta. Proposta é o que você acredita como ensino, quais abordagens, quais linhas pedagógicas de referência, seus valores como professor, seus valores como músico, seus valores como homem.

Planejar é preciso, mas não deve ser preciso.
(Cassia Maria)
Porque quanto menos houver precisão mais podemos navegar solto rumo às nossas propostas, levando em conta que alunos vivos são como ventos e oceanos, não dá para prever tudo (ainda bem!).
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Por que ensinar arte? Finalmente uma resposta satisfatória.


Marx dizia: “Os produtos do cérebro humano têm o aspecto de seres independentes, dotados de corpos particulares em comunicação com os humanos e entre si”.
Edgar Morin  acrescenta: “as crenças e as idéias não são somente produtos da mente, são também seres mentais que têm vida e poder. Dessa maneira, podem possuir-nos. Devemos estar bem conscientes de que, desde o alvorecer da humanidade, encontra-se a esfera das coisas do espírito , com o surgimento dos mitos, dos deuses, e o extraordinário levante dos seres espirituais impulsionou e arrastou o Homo sapiens a delírios, massacres, crueldades, adorações, êxtases e sublimidades desconhecidas no mundo animal.”

Uma vez, enquanto assistia as aulas de um curso do método Kodaly, perguntei ao palestrante húngaro onde estavam os supermúsicos húngaros e por que ainda não haviam invadido o mundo com seus superpoderes?

Ele me respondeu: “Kodaly e Bartok não estavam interessados em criar supermúsicos mas sim em criar um superpúblico” (POW, que porrada na cara!!!).

Disse ainda que acreditavam que o povo húngaro era um povo bárbaro, sem educação, sem o espírito preparado para ouvir o que eles, não super, mas grandes músicos húngaros criavam. Que se criassem um sistema de educação musical para toda a população provavelmente estariam ajudando a tirar esse povo da barbárie.

Não tenho ideia se eles tiveram acesso ao que Vigotsky, pensador russo, escrevia sobre o assunto, mas parece até que sim, vejam só:
Desde tempos remotos compreende-se o sentido da atividade estética como catarse, ou seja, libertação do espírito das paixões que o atormentam. 

A emoção estética tem uma natureza dialética: a contradição, a repulsão interior, a superação e a vitória são constituintes obrigatórios do ato estético. É necessário ver o feio em toda sua força para depois colocar-se acima dele no riso. É necessário vivenciar com o herói da tragédia todo o desespero da morte para com o coro elevar-se sobre ela.
A arte implica essa emoção dialética que reconstrói o comportamento e por isso ela sempre significa uma atividade sumamente complexa de luta interna que se conclui na catarse. A arte não é uma complementação da vida mas decorre daquilo que no homem é superior à vida.

A humanidade acumulou na arte uma experiência tão grandiosa e excepcional que qualquer experiência de criação doméstica e de conquistas pessoais parece ínfima e mísera em comparação com ela.

Por isso, quando se fala de educação estética no sistema de educação geral deve-se sempre ter em vista essa incorporação da criança à experiência estética da sociedade humana: incorporá-la inteiramente à arte monumental e através dela incluir o psiquismo da criança naquele trabalho geral e universal que a sociedade humana desenvolveu ao longo dos milênios, sublimando na arte o seu psiquismo.
Aqui reside a chave para a tarefa mais importante da educação estética: introduzir a educação estética na própria vida. A arte transfigura a realidade não só nas construções da fantasia mas também na elaboração real dos objetos e situações. A casa e o vestuário, a conversa e a leitura, e a maneira de andam, tudo isso pode servir igualmente como o mais nobre material para a elaboração estética.


Fiquei assombrado quando assisti um vídeo de um programa de auditório da Noruega. Parece um tipo de “Qual é a música”. Vale a pena ver, não só pela música e pela qualidade da cantora mas, principalmente, pela qualidade do público.

O silêncio visto aqui não é apenas uma atitude de respeito ao artista, ao outro que também ouve, mas antes de tudo um respeito a si mesmo, respeito ao espaço/tempo criado pela arte, que o espírito tanto necessita para chegar à sublimação.

Morri de inveja. Morri escutando a música. Morri ao ver/ouvir a cantora.
Quero mais é que vocês morram também.


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A solução da educação brasileira está na mão das professoras maluquinhas?

A midia elegeu, o povo elegeu, os tecnocratas elegeram, os polícos e os demais elegeram que a educação é o grande mal brasileiro e por isso mesmo poderia ser a solução do Brasil. E todos crêem saber a solução dos problemas.

Na Rede Globo estava passando uma série de reportagens sobre a educação, mostrando seu ponto de vista,  recheado de idéias do senso comum, entre as quais que uma das saídas mais eficientes seria a do bom professor, aquele que faz a diferença.

Claro que a um professor deve caber a motivação e o bom preparo, mas se na maioria dos casos não teve bom preparo, porque sua formação já foi ruim e não tem muito incentivo para manter-se motivado, como sair desse moto-contínuo?

A professora Amanda foi na mosca! Entre muitas coisas importantes que disse destaco aqui: "Eu gostaria que dizer aos senhores que se libertem dessa concepção errônea, extremamente equivocada de associar qualidade de educação com professor dentro da sala de aula". O que ela fala ainda não é a solução, mas é uma análise sintética dos problemas estruturais do ensino.

Ela tem jeito de ser uma professora maluquinha, mas de bobinha não tem nada.
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Precisa-se de professoras maluquinhas

Entrevista do Ziraldo a Revista Profissão Mestre

Escritor, editor, repórter, cartunista, cartazista, desenhista, poeta, chargista, palestrante. A lista de ocupações de Ziraldo é longa e não pára de crescer. Os 130 livros infanto-juvenis que escreveu nesses 71 anos de vida e 23 anos dando palestras em colégios privados e particulares fazem dele, na sua própria definição, o maior Aspite (Assessor de Palpites Educacionais) do Brasil. E é nessa condição de aspite, de alguém que respeita os jovens e crianças ao não insultar suas inteligências, que Ziraldo recebeu a reportagem de Profissão Mestre. “Eu já disse para o Cristovam Buarque (ministro da educação) que é preciso mudar tudo na educação do nosso País”, conta. “A escola brasileira, em seu início, tem de ser formativa e não informativa”.

Só que existe uma grande pressão por resultados, por boas notas. Em algumas instituições de ensino chega-se a fazer um “vestibulinho” para o ensino fundamental. As crianças, assim, são submetidas desde cedo a uma pressão, a uma cobrança dos pais que não é saudável, na visão do pai do Menino Maluquinho. “Eu sempre digo que o pior que um pai pode fazer pelo seu filho é fazer planos para o futuro dele, é prepará-lo para o futuro. A criança tem de ser feliz no presente. Se você agir assim, cobrando desempenho, você só vai angustiá-lo, não vai fazê-lo feliz. Menino que foi feliz vira um cara legal. E feliz é o menino que brinca, que volta para casa todo sujo. Eu não conheço nenhum canalha que tenha sido uma criança feliz”.

Assim, não é de se admirar que muitos alunos percam o gosto pelo estudo. A escola deixa de ser o lugar divertido, de descobertas que deveria ser e passa a ser um centro de pressão, disputas e estresse. “O problema é que as pessoas acham que a gente tem de sofrer para dar valor as coisas. Quando você exige que o seu filho tire dez em tudo, você só produz uma pessoa carregada, competitiva. Se você chega dessa maneira à idade da razão, na hora das decisões você vai usar uma razão deformada, que vê tudo como um jogo de ‘eu contra eles’. Nesse sentido, o maior inimigo da escola é o lar.”

O escritor acredita que seja por isso que o professor e os diretores devem trabalhar muito a família, trazê-la para dentro da escola. “Botar quem paga a mensalidade dentro da escola, discutir com eles”. Ziraldo afirma que essa característica, de envolver a família e a comunidade, é um dos setores em que muita escola pública leva vantagens sobre as escolas particulares: “A classe média e os ricos acham que pagam uma boa escola e isso basta. O operário tem sonho de ascensão, então ele participa mais da escola do filho, das reuniões de pais. Ele tem grande orgulho de ser pai e de estar ali. Ele quer que o seu filho tenha tudo o que ele não pode ter”, e completa dizendo que as coordenadorias e direções mais interessadas e atuantes que ele já viu estão em escolas públicas.
 Professores maluquinhos – Que ninguém pense que essa visão é romântica ou alienada. Pelo contrário. Enfatizando o gosto pela escola, o amor pela leitura e a criatividade, Ziraldo está mais atual do que nunca. “Esse é um mundo onde precisamos, todos, sermos eternos aprendizes. Sem professores ao nosso lado, precisamos contar apenas com nossa curiosidade e nossa vontade de aprender”. E afirma que qualquer instituição de ensino pode estimular essas qualidades em seus alunos, se contar com um ingrediente: “o que mobiliza uma escola é sempre uma professora maluquinha. Uma pessoa absolutamente vocacionada, que em geral está sempre em conflito com uma diretora que não é vocacionada”.

Ziraldo conta que teve a sorte de ter uma “professora maluquinha” logo na primeira série. Ele conta que sua professora Cati chegava sempre com a bolsa cheia de livros e gibis e adorava contar histórias para os alunos. “Ela tinha 16 anos e não sabia de nada, mas adorava ler. Chegava na escola com a mala cheia de gibis. E lia os seus romances para nós. Quando tocava a sineta, nós entrávamos voando na sala porque queríamos ouvir as histórias e ler os gibis e livros que ela trazia”.

Alunos correndo para entrar em uma sala de aula, alegres. Quantas vezes isso acontece? Aquela professora fez com que todos passassem a ter o prazer pela leitura e pela escrita. E no final do ano todos os alunos foram reprovados. Os exames eram padrão, corrigidos na capital Belo Horizonte e a turma do Ziraldo não teve o conteúdo programático esperado. “Tomamos bomba, mas fazíamos redações maravilhosas. Dos 30 alunos da turma, seis viraram escritores.” É um começo da escola formativa defendida por nosso aspite.

E, no mesmo fôlego, ele afirma que falta de recursos ou de apoio não é desculpa para não ser um professor ou professora maluquinha. “Dá para fazer porque criar é tirar leite de pedra. Onde é que as civilizações nasceram? Nos lugares de intempérie. A criatividade é resultado das dificuldades. Então, neguinho diz que não fez porque não tinha recursos. E eu retruco: Ué, aí é que você tinha de fazer, pô.”

Ler por ler – Para terminar, Ziraldo deixa um alerta: a literatura não tem de ser exercício para nada. Não tem de ter contrapartida didática. O livro é maior que a vida, é maior que o próprio universo, pois o universo inteiro cabe dentro do livro. “Eu faço livro pela paixão pelo livro, eu faço livro para a criança gostar de ler, não para aprender conteúdos. O livro contém as duas coisas mais importantes do mundo, o tempo e o espaço. A palavra que vai dar sentido à sua vida é a palavra que está escrita. O sentido e o segredo da vida está escrito num livro”.

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Fool On The Hill - exercício de aula

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Uma breve análise crítica da teoria de Jean Piaget, baseada na observação da obra “Relatividade” de M.C. Escher


por
André Vincentin
Diogo Monsores Vieira
Carolina Lopes de Oliveira e
Paulo Tercio Galati

Comparações
a concepção de que devemos observar (algo) guiados pela multiplicidade envolvida e não com uma expectativa eminentemente pronta
Para Piaget é necessário propor um olhar diferenciado e múltiplo para as coisas, sendo este sugerido como uma espécie de exercício para as interpretações cotidianas e reflexão da realidade.
Também para observar a obra de Escher é preciso cultivar a predisposição de ver várias perspectivas e tornar a mente disposta a articular essas visões para conseguir relacioná-las
estimular um raciocínio condiz com uma condição transformadora por meio de inevitável pesquisa, levando a reinventá-la
Para Piaget a tarefa principal da educação é estimular o raciocínio, não ser apenas uma formação, mas sim uma condição formadora, ligada estreitamente à pesquisa. Ao invés da criança apenas copiar o conteúdo apresentado, ela deve ser levada a reinventá-lo.
Na obra de Escher, a quebra dos padrões e regras da gravidade e das dimensões, instiga uma visão crítica e o raciocínio lógico, além disto, leva o observador da obra a reinventá-la a cada mudança de perspectiva no olhar. Mundos diferentes e únicos sendo percorridos simultaneamente nos são apresentados na obra, que dialoga a arte e a geometria de maneira interdisciplinar assim como Piaget, com a  possibilidade de múltiplas combinações entre as várias áreas do conhecimento, pensando o ensino como uma questão geral, como um todo relacionado.
um movimento cíclico que nem sempre faz sentido
No desenho acima, as pessoas que caminham pelas escadas parecem ser a mesma pessoa, parece um registro dos vários momentos de um dia ou de um mesmo fazer. E todos os caminhos têm uma porta, um fim que se abre para outro lugar que aqui não é visto inteiramente. Em Piaget o movimento de desenvolvimento da mente humana é determinado por etapas, passando por processos que à primeira vista podem ser vistos como movimentos cíclicos sem sentido, mas que na realidade são vivências nas quais juntam-se informações e experiências que alteram seus esquemas*, em processos de assimilação e acomodação até que reequilibra, alcançando outros patamares. Podemos comparar ainda Escher ao pensamento multidisciplinar de Piaget sob o ponto de vista da complexidade do sistema de conjunto e dos vários ângulos e possibilidades de observação, experimentação e oposição ao fracionamento, uma vez que a estrutura apresentada na obra é cíclica.
*esquema: ações básicas de conhecimento, incluindo ações físicas/motoras, sensoriais e mentais.
brincar com as nossas certezas estabelecidas
É o que Escher sempre gostava de fazer. Parece que brinca com o que Piaget chama de equilíbrio, que é baseado em uma série de esquemas que permitem organizar o caos inicial de sensações. De fato, ao olhar para o quadro “relatividade” nos vemos obrigados a refazer constantemente a noção de equilíbrio para reorganizar nosso entendimento sobre ele.
Apreciação
Piaget tem uma visão múltipla para criar um método de observação, mas (pela norma da ciência) estabelece uma teoria fechada que, entre outras coisas, definiu etapas associadas às idades que ele constatou em suas experiências.
Mas talvez esse não seja o maior motivo das críticas que se faz a ele atualmente.
Alguns estudos indicam que o desenvolvimento cognitivo é favorecido pelas interações sociais, mas parece que o próprio Piaget, ao menos no final da vida, suspeitava desse fato.
Outro fato é que, fora dos padrões europeus e de sua época, as crianças são muito mais estimuladas e interagem mais com os adultos, aprendendo mais cedo do que ele apontava sobre sentimentos e as reações dos outros. Isso nos parece indicar que idade estabelecida por ele entre as etapas devem ser encaradas como barreiras móveis, absolutamente permeáveis, não invalidando o mais importante de suas pesquisas, que foi o fato de estabelecer a existência dessas etapas.
Outra observação é que a imitação ocupa um lugar bastante importante para o desenvolvimento cognitivo. Pode-se dizer que a recriação acontece aí, após este processo, quando a criança provida de recursos vindos de diferentes fontes recria o conhecimento adquirido. Nisso se dá também o poder transformador do meio.

Conclusão
Como educadores devemos ver os alunos e as situações vividas em sala de aula, assim como enxergar a teoria de Piaget com o olhar proposto por Escher em sua obra. Um olhar relativo, que vê um prisma de possibilidades e procura enxergar cada aluno sob vários ângulos, com realidades distintas ainda que fazendo parte do todo de um conjunto.
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